
"Vamos parar por aqui, assim teremos apenas lembranças boas do que vivemos."
"Se você me deixar ir hoje, tudo o que tivemos terá sido perfeito. Você é minha imortalidade."
Estas são frases de um filme chamado “Docê Novembro” que assisti há algum tempo atrás, o filme é lindo e todo mundo torce para a mocinha ficar com o galã e viverem felizes para sempre, mas o romance prevalece e ela morre e ele fica com aquela sensação terrível de perda mas com a lembrança dos melhores momentos de sua vida.
E na vida real será que é assim? Quem tem peito para encarar sua mortalidade de uma forma poética e tranqüila? Qual o impacto de estar frente a frente com o fim da sua existência? Bem amigos do Blog, eu posso dizer que já tive esta experiência, no inicio ignorei e só depois de digitar o resultado do exame no Google e ver que o que o medico tinha me falado era exatamente igual ao que estava escrito ali, me fez cair à ficha.
Tantas coisas passaram pela minha cabeça, como ficaria minha família, minhas dividas, porque eu não fiz um seguro de vida com alto valor, por que eu não fiz aquela viagem que tanto sonhei, para quem eu tenho que pedir perdão, quem eu tenho que perdoar, o que eu ainda tenho que fazer, o que é mais importante, e a mais difícil de todas o que eu vou fazer e o que eu não vou fazer? Afinal não da tempo de fazer tudo!
Levando em consideração que não estou em estagio terminal e sem dados da progressão da doença, percebi que não tinha tempo a perder, não podia dar mole, já tenho 30 anos e preciso fazer minhas listas e começar a realizar mais e planejar menos.
A primeira coisa que fiz foi me livrar da preguiça e parei de deixar tudo para outro dia, mesmo tendo saído de uma cirurgia simples mais muito traumática me retirei da posição de vitima e fui a luta, não deixei de ir em nenhum lugar para o qual fui convidada, fui em bares, baladinhas, festinhas e até uma viagem curta eu encarei ainda no pós operatório, não podia fazer muito esforço mas mesmo assim consegui curtir muito, conheci lugares novos, tive contato com a natureza e o grande diferencial era a gana que eu tinha de viver tudo que podia naqueles momentos, de repente rever um amigo tomou uma proporção tão grande, sentir o vento no meu rosto passou a ser como se tivesse recebendo uma caricia de Deus, o amor se fez maior dentro do meu coração, parecia que uma lente de aumento se acoplaram nos meus olhos e uma grande dose de felicidade foi injetada no meu sangue.
Raciocinando melhor e olhando de fora, eu sempre tive muitos convites, mas estava sempre deixando para depois, e se não tivesse tido um diagnostico desfavorável a vida passaria e eu nem teria percebido, teria deixado tudo para depois. Agora meu quadro esta bem estável e minha expectativa de vida é indeterminada como a de todo mundo, mas mesmo assim prefiro continuar com a mentalidade de que tenho pouco tempo assim realizo muito mais.
Na minha lista ainda tem muitos nomes, muitas historias para viver e reviver, muitas coisas para experimentar e conhecer, muita risada e muita lagrima, assim como uma vida normal de qualquer pessoa.
Mas e quanto ao filme? Bom, na realidade da muito medo e não é fácil se deparar com a possibilidade do próprio fim, mas minha receita é que se for com poesia, tranqüilidade e aceitação fica muito melhor, e assim que teremos as lembranças mais perfeitas e de certa forma “criaremos nossa imortalidade”, então esta receita serve para todos, afinal a todo morre um pouquinho a cada dia.